Os Mitos do Crédito: Desvendando a Verdade

Os Mitos do Crédito: Desvendando a Verdade

Em um cenário econômico desafiador, o crédito emerge como ferramenta essencial para famílias e empresas.

No entanto, a desinformação e crenças equivocadas podem transformar essa solução em armadilha financeira.

Mapa Geral do Crédito no Brasil

O ambiente de crédito brasileiro é caracterizado por taxas de juros exorbitantes do rotativo, com média de 445% ao ano em março de 2025. Esse contexto impacta diretamente o orçamento das famílias, que muitas vezes recorrem ao crédito para equilibrar contas mensais.

Apesar de o crédito ampliado para empresas ter chegado a R$ 5,8 trilhões (52,1% do PIB) em abril de 2025, nota-se um leve sinal de desaceleração em algumas linhas de financiamento. Na outra ponta, em agosto de 2025, a procura por novos empréstimos caiu 10,17% em comparação com agosto de 2024, mostrando receio diante das condições atuais.

Segundo dados do Banco Central, apenas 4,84% dos consumidores consultados contrataram algum serviço de crédito no período, sendo empréstimos pessoais o tipo mais acessado (82,51%). Além disso, 33,81% dos consumidores apresentavam restrição ativa ao solicitar análise de crédito.

Mitos Mais Comuns sobre Crédito para Pessoas Físicas

Ao redor do crédito pessoal circulam diversas crenças populares que podem induzir a decisões equivocadas. Desvendar esses mitos é fundamental para tomar decisões financeiras mais conscientes e evitar surpresas desagradáveis.

Além desses equívocos, o modelo de score considera diversos fatores para mensurar o risco de crédito:

  • Histórico de pagamento em dia
  • Dívidas pendentes ou atrasadas
  • Volume de crédito utilizado
  • Consultas ao CPF por empresas
  • Cadastro Positivo

Mitos sobre Crédito para Empresas

No universo corporativo, também existem crenças que podem atrasar o acesso a linhas de financiamento ou encarecer o custo do capital. Entender o contexto macroeconômico e as políticas internas de cada instituição financeira ajuda a destravar recursos de forma adequada.

  • Redução da Selic faz juros cair automaticamente: Bancos ajustam taxas com base em diversos fatores, como risco setorial e custos operacionais.
  • Todos os bancos têm exigências iguais: Cada instituição define critérios próprios, incluindo garantias e documentação exigida.
  • A situação financeira é o único critério: Setor de atuação, histórico, garantias e até estratégias de mercado também influenciam

Em abril de 2025, o crédito ampliado para empresas cresceu 9,5% em 12 meses, com destaque para títulos de dívida (21,5% de alta) e empréstimos externos (6,2%), segundo o Banco Central.

O Círculo Vicioso do Crédito

Muitos consumidores recorrem ao crédito para fechar o orçamento, mas são frustrados pela recusa ou pela oferta de linhas com custos acima do orçamento. Ao aceitar condições onerosas, aumenta o risco de inadimplência e inicia-se um ciclo de busca por novas formas de financiamento.

Esse padrão pode travar o consumo, elevar o endividamento e reduzir a confiança do mercado, criando um ambiente de instabilidade para famílias e empresas.

Efeitos Psicológicos e Percepções

A associação do crédito ao endividamento crônico gera desconfiança generalizada. Muitos consumidores adotam posturas defensivas, evitando financiamentos mesmo quando necessários. A falta de clareza sobre custos e prazos alimenta o medo de armadilhas financeiras.

Desinformação e boatos sobre o funcionamento de tarifas e tarifas compostas ajudam a perpetuar mitos, dificultando o planejamento financeiro e reforçando a exclusão de parcelas da população do sistema creditício formal.

Desmistificando o Crédito: Caminhos para o Futuro

Para transformar o crédito em instrumento de desenvolvimento, é preciso investir em educação financeira de base e práticas transparentes por parte das instituições. A seguir, algumas sugestões:

  • Promover programas de educação financeira em escolas e comunidades
  • Exigir transparência na oferta de produtos de crédito, com simulações claras
  • Estimular o uso do Cadastro Positivo para diferenciar bons pagadores

A adoção dessas práticas contribui para reduzir a desigualdade de acesso, melhorar a saúde financeira das famílias e aumentar a eficiência do mercado de crédito, gerando benefícios a longo prazo.

O desafio de desmistificar o crédito no Brasil passa pela colaboração entre consumidores, órgãos reguladores e instituições financeiras. Ao compreender a diferença entre mito e realidade, cada indivíduo e empresa pode tomar decisões mais informadas e seguras.

O resultado dessa transformação é uma economia mais dinâmica, com maior inclusão financeira e maior resiliência diante de choques externos. Desvendar a verdade sobre o crédito é o primeiro passo para construir um futuro sustentável e próspero.

Referências

Robert Ruan

Sobre o Autor: Robert Ruan

Robert Ruan